Por Rita Oliveira, psicóloga clínica na Partes de Ti (OPP n.º 26716)

Escrevi este texto com respeito profundo por todas as histórias de perda gestacional. Que estas palavras possam trazer-te algum conforto ou compreensão, a ti ou a alguém próximo de ti.

Uma dor sem nome

Perder um bebé durante a gravidez é uma dor sem nome. Não se trata apenas do fim de uma gestação, mas sim do desmoronar de um mundo inteiro que se estava a construir. É como se o futuro se apagasse e ficasse apenas o vazio do que não chegou a ser.

Quando se enfrenta uma perda gestacional, perde-se o bebé sonhado que já existia nos pequenos gestos de cuidado e de preparação da sua chegada. Perdem-se as memórias imaginadas que nunca vão acontecer. Perde-se também uma parte de si, uma parte da identidade de mãe ou pai que ia florescendo mesmo que a sociedade não a reconhecesse…

Com a perda vem o silêncio

Há quem tente consolar dizendo que era muito cedo ou que rapidamente engravidam de novo, mas a dor não se mede em semanas e um bebé não substitui o outro. A dor existe porque o amor também, e quando não há espaço para a dor e para o amor, sofre-se em silêncio.

Aquilo que realmente se perde não é visível aos olhos dos outros, mas o luto é imenso. O luto de uma história que estava só a começar, de um vínculo que estava a ser construído e da confiança que se tinha na vida.

O amor permanece

O amor permanece. Esse não se perde e vive transformado em dor, saudade, memória… e, com o tempo, também se pode transformar em força e em forma de honrar quem não chegou a nascer.

A tua dor merece ser vista e ser cuidada. O teu luto é legítimo. Mesmo que tudo ainda pareça demasiado pesado, um dia será possível encontrar um lugar onde esta perda possa existir com menos sofrimento e mais ternura.


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