Por Carolina Henriques, psicóloga clínica e terapeuta familiar e de casal na Partes de Ti (OPP n.º 24139)

“Vamos ao segundo?” é uma dúvida comum que os primeiros filhos despertam nos pais de primeira viagem.

A maternidade não nasce no ADN, e tantas vezes o primeiro filho cresce à medida das dúvidas e medos dos pais. A experiência materna gera competências ao longo do tempo não por instinto, mas por tentativa e erro.

Os pais carregam de facto a responsabilidade de ser portos-seguros para os filhos. Talvez por essa responsabilidade, pela noção do impacto que terão na vida de um ser humano que não pediu para nascer, a dúvida de “ir ao segundo” seja muitas vezes real:

Os desafios antes da decisão

No meio dos imprevistos que naturalmente condicionam a decisão de ter um segundo filho, há questões que crescem dentro do casal e que precisam de ser conversadas.

O que muda com os irmãos

Os irmãos aumentam a família e dão lugar a mudanças, isso é inegável. A harmonia familiar é influenciada pela relação positiva entre os irmãos: “e se eles não se derem bem?” é pergunta legítima que carece de tempo para descobrir a resposta.

Ser filho único ou ter irmãos faz a diferença a vários níveis: na dinâmica do casal; na dinâmica familiar; no impacto a nível económico da gestão familiar; na agenda que se divide entre idas e vindas à escola, às AEC, etc.

No entanto, a possibilidade de crescer com irmãos é território fértil para o desenvolvimento da capacidade de partilha, de negociação e gestão de conflitos.

O património memorial partilhado entre irmãos (sejam eles biológicos, adotados ou meios-irmãos) é influenciado pelo ambiente familiar. As experiências partilhadas na infância são impostas pelos pais, o que na idade adulta deixa de acontecer, já que o contacto e a relação entre os irmãos passa a ser resultado da escolha de cada um de manter e alimentar (ou não) a relação.

A literatura evidencia que uma boa relação entre os irmãos:

Que a decisão seja lugar de conversa

As famílias têm vindo a reduzir-se: o número médio de filhos por família diminuiu de 3 (em 1960) para 1. As exigências da vida moderna adiam sonhos, objetivos e desejos. Na correria do dia a dia os casais queixam-se de falta de tempo para viver. E o medo do incerto é muitas vezes gerido por decisões ponderadas e analisadas.

Que a (in)decisão de aumentar a vossa família seja lugar de conversa, de paragem e de vivência.

Que a vossa família (com um, dois ou mais filhos) seja lugar de amor. Sem medo pelas diferenças de opiniões. Sem medo de olhar para os sonhos. Com coragem de olhar os medos. Com coragem de conviver com os medos.


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