Médica Psiquiatra

Andreia Castanheira da Silva

Gosto de pensar na Psiquiatria como a mais poética das especialidades médicas e entendo-a como um trabalho que parte da evidência científica mas que só ganha verdadeiro sentido na relação terapêutica. Vejo a medicação como um recurso que nem sempre é necessário mas que muitas vezes tem um contributo importante e mesmo decisivo (até para viabilizar ou potenciar um processo psicoterapêutico).

Pese embora todos os avanços em ciência e tecnologia, continuamos sem outro caminho para aliviar (ou acompanhar) o sofrimento que não a empatia. Sendo certo que a Medicina não pode perder a sua face humana, tenho a convicção de que o digital está longe de a ameaçar, podendo até ajudar a preservá-la: ao reduzir barreiras geográficas e logísticas, torna o acesso a cuidados mais próximo, mais flexível e mais ajustado às realidades do dia a dia de cada um.

“Clinicamente, mais do que qualquer modelo ou técnica, tentei reter uma qualidade relacional (…): acreditar que, com o paciente, seria possível co-construir algo importante e útil, mesmo que não imediatamente óbvio. Esta «calma confiante num mar de incerteza» (…)”

– Alexandre Vaz, Psicoterapia: A Profissão Impossível